sexta-feira, 4 de março de 2011

just war -- or a just war? By Jimmy Carter




Já que dificilmente tenho criatividade para escrever algo interessante, vou postar uma critica sobre o texto do Jimmy Carter que fiz para um trabalho de Ciência Política, o texto está em inglês, mas quem se interessar pode acessar este link.



O conceito de guerra justa do Jimmy Carter, remete um pouco a antiguidade, embora ele utilize a religião para conceituar as ideias de bom e de justo. Na sociedade atual, evitar a guerra até o ultimo recurso é quase sempre o melhor caminho, não só por questões sociais, mas econômicas e politicas.



A guerra justa nada mais é do que deixar que os combatentes se igualhem em força e conheçam claramente o porquê daquele conflito ter se iniciado. Na antiguidade, antes de cada combate, os envolvidos se encontravam em campo aberto e se cumprimentavam antes de começar a batalha. Então todos se enfrentavam “frente-a-frente”, sabendo que a vitória seria justa para qualquer uma das partes. Existiam os conceitos de honra, coragem e virtude nessa época. Hoje uma ideia como essa parece mais uma crítica ao terrorismo, que utiliza-se de táticas de guerrilha para compensar a menor condição de homens e armamentos, do que propriamente uma forma virtuosa de resolver a situação.

O pensamento de uma guerra justa mistura ideais antigos e religiosos. Antigos porque há uma tentativa de resgatar a honra e a coragem que moviam as grandes sociedades daquela época. Religiosos porque utiliza-se do pensamento divino para justificar certos atos. No oriente médio,por exemplo, a guerra santa é justificada por pensamentos puramente divinos. Os princípios de Carter sobre a conduta americana, no inicio do seu texto, tem bases religiosas. Portanto invadir um país como a Líbia, que passa por suas revoluções, é ir de encontro a esses ideais.




No texto, Jimmy Carter discorre sobre o uso das armas de guerra, como elas devem ser utilizadas entre combatentes e não combatentes e também sobre a proporção de seus ataques. Chega a ser contraditório, já que nas guerras passadas os Estado Unidos não hesitaram em utilizar uma força desproporcional para mudar o rumo dos conflitos. Hiroshima e Nagasaki são exemplos claros disso. Portanto, nesse panorama, a ideia de buscar alternativas junto a comunidade internacional, para uma solução pacifica entre as sociedades não passa de ilusão e publicidade barata para a população em geral. Pois a economia fala mais alto e um país sempre termina intervindo nas políticas sociais de outro, com uma desculpa estupida de justiça puramente parcial.




É uma critica clara do Carter ao terrorismo islâmico quando ele expressa a preocupação do General Tommy R. Franks ao falar sobre os alvos militares próximos a hospitais, escolas e outros estabelecimentos civis. Tentando mostrar que o outro lado se preocupa em não prejudicar a vida dos inocentes. E por mais que os norte-americanos tentem esconder, quando a necessidade de conquistar determinado objetivo aparece, algo sempre chega a sociedade para mostrar que eles não são tão “mocinhos”.

Os Estados Unidos são mestres em utilizar essa artimanha da publicidade. A invasão ao Iraque foi mascarada pelo ataque do 11 de Setembro, porém, na verdade era um conflito muito mais antigo do que se imagina, e os verdadeiros motivos foram puramente econômicos. Na Líbia, o país passa por uma revolução interna que preocupa a economia mundial e por isso os outros países estão prontos a intervir, não é de se surpreender que aconteça isso a qualquer momento, ou que já não esteja acontecendo. Enquanto o Oriente médio se justifica através da sua religião, o Ocidente o faz através da propaganda, de conceitos puramente parciais que distorce o pensamento da população. Nesse sentido não existe uma guerra justa, pois todas não passam de politicagem e propagandas falsas, e sendo o verdadeiro objetivo econômico.




Ora, os americanos sabem que possuem um poder bélico maior que as sociedades do Oriente Médio. Dizer que uma guerra justa é travada frente ao inimigo, determinando vários critérios, se torna injusta frente a uma nação que não tem metade das condições.

Portanto, guerra justa não passa de uma simples guerra, uma politica barata que tenta convencer as outras nações de que existem motivos para intervenção ou conflito, mas que no fundo não passa de uma prepotência de determinado país ou nação de buscar mais e mais na economia globalizada, e tudo no fim passa a ser uma questão econômica. O que vale é saber se traz benefícios ou prejuízos para a economia mundial.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Um questionamento sobre a evolução da ética


Uma discussão sobre ética sempre foi complicada e cheia de contradições desde os tempos antigos. Não basta simplesmente definir um conceito, pois ela está intrinsecamente ligada a cultura das diversas sociedades.


A principio o problema começa com as definições do bem e do mal, mas ainda assim esses conceitos dependem basicamente da cultura de um determinado povo. Se para uns o bem e o mal são de uma forma e para outros, de outra, então como definir qual dos dois conceitos está certo?


Essa problemática vai percorrer todas as discussões sobre certo e errado, justiça e injustiça, ética e moral. Então como definir se uma forma de ética é melhor que a outra? Simples, não existe uma evolução na ética, não há como dizer que uma é melhor que a outra.


Peguemos a ética Ocidental e a ética Oriental, são conceitos completamente diferentes! Como provar que uma é melhor que a outra? De certa forma não há como, pois existe uma ideologia por trás de cada uma, e uma ideologia é quase sempre uma falsa consciência, que se não for bem analisada e refletida se transforma numa defesa de valores e ideias sem sentido.


Esse é o ponto onde quero chegar. Deixemos a discussão sobre preconceito de lado. A décadas atrás para nossos pais e avós, não havia nada de errado repudiar um homossexual e até trata-lo de forma diferente da sociedade, para aquela época, não existia nada de anti-ético nisso. Mas hoje a situação é diferente, porque? Esse tipo de repudiação é considerada anti-ética, é uma evolução? Claro que não, na antiguidade era perfeitamente normal, e hoje ainda não é completamente.


Para uma sociedade que tem pensamento diferente do nosso, muitas vezes achamos que ela é retrógada. Não percebemos que essa sociedade pensa a mesma coisa de nós, como argumentar que o nosso conhecimento é o verdadeiro e o dela não, se não existe uma verdade estabelecida, eterna e concreta? A nossa ética esta convencionada ao nosso dia-a-dia, portanto funciona sem problemas na nossa vida, assim como a de outro povo funciona no seu cotidiano.


Kant defende algo chamado: ética universal, onde todos deveriam seguir máximas iguais, para que a humanidade caminhasse em um só pensamento, isso ignora o fato das diferenças sociais, culturais, religiosas e econômicas. Já Hans Jonas fala de uma ética "planetária" ou ética da responsabilidade, voltada para questão ambiental, uma estrada mais fácil de se percorrer, levando em consideração a diversidade cultural dos países, com isso é possível desconsiderar essas diferenças e se preocupar com algo em comum.


Bom, esse é só um questionamento sobre a problemática da ética. Podemos ver que essas discussões nunca levam somente para um caminho, o que torna extremamente complicado as conceituações, sempre se deve ter um ponto de partida. Na próxima atualização falarei sobre algo relacionado a história e espero ter um resultado mais concreto. Não esqueçam de comentar na enquete e podem mandar sugestões via comentário! Valeu.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A influência do pensamento Platônico nos dias atuais!




Poucas pessoas sabem que o pensamento da antiguidade tem forte influência na sociedade atual, não só depois do Renascimento, mas ainda na idade média havia grande preponderância dos ideais antigos.


O cristianismo, por exemplo, é praticamente todo influenciado pelo pensamento de Platão, e grande parte dos cristãos não tem a mínima ideia disso. Para começar, irei falar brevemente sobre esse filósofo.


A nível histórico, Platão nasceu na Grécia, em Atenas por volta de 428/27 a.C. Era de familia rica e, portanto, aristocrata (muitos defendem que isso tenha influenciado no seu pensamento) e foi pupilo de Sócrates. Sua obra mais famosa, A República, discorre sobre a justiça em forma de dialogo socrático.


Abordarei agora sobre seu pensamento, não será difícil perceber inúmeras semelhanças conforme iremos avançando.


O grande trunfo de Platão foi a criação do método idealista, de um mundo ideal, em contra partida ao mundo do sentidos (no qual vivemos). Esse mundo ideal era perfeito, permanente, portanto não estava sujeito a mudança. Já o mundo sensível, ou do sentidos, as coisas são corruptíveis, surgem e se vão. Ele busca uma verdade plena, no caso, que fosse eterna. Portanto só era possível encontra-la num mundo ideal.


Um dos discursos mais famosos do filósofo é o Mito da Caverna, onde ele diferencia o mundo sensível do ideal e coloca como prisioneiros aqueles que estão voltados para o senso comum (mundo material).


Percebemos aqui já a primeira semelhança, para o cristianismo existe algo parecido. O mundo material, onde tudo muda, e todas as coisas são corruptíveis, é aquilo que eles chamam de paraíso, onde o espírito ou alma do individuo se encontra com Deus, que é pleno e perfeito.


Coincidência? Na idade média surgiu um teólogo chamado Santo Agostinho, ele recebeu forte influência de Platão. A igreja, como todos sabem, naquela época tinha o controle total do conhecimento. Mas o que isso tem haver?




Santo Agostinho foi um dos grandes responsáveis, por assim dizer, pela "racionalização" do pensamento cristão. O cristianismo até então era uma religião de "analfabetos" voltada para os pobres e não havia uma forma sistematizada sobre sua ética, moral ou o que quer que seja.


Foi em Platão que esse teólogo achou uma grande fonte de pensamento que poderia ser utilizado para criar uma forma de religião intelectual e expor seus dogmas. O conceito de espírito e alma, que a maioria crer que foi uma ideia do cristianismo, já existia em Platão e outros filósofos da antiguidade. Agostinho absorveu e implantou na religião, somente na alma o conhecimento pode ser verdadeiro, portanto, pleno e imutável.


Uma das bases do pensamento Platônico é a reminiscência. Platão defendia que o conhecimento seria uma recordação das verdades eternas que a alma contemplara. No caso, o verdadeiro conhecimento estava em nossas almas, que eram eternas, e em vez de aprender estaríamos apenas recordando. Através de um dialogo entre Sócrates e um escravo, onde o filósofo faz com que ele deduza o teorema de Pitágoras sem nunca ter visto geometria, Platão prova que ele apenas lembrara de algo que já estava em sua alma. É claro que para um conhecimento a priori, é possível inferir algo sem nunca ter passado pela experiência. O conhecimento a posteriori (ou empírico) acaba com essa teoria.


Dai podemos dizer que surge a ideia do cristianismo da "reencarnação", um individuo teria vidas passadas e esse conhecimento acumulava-se dentro da alma num mundo ideal. Sendo assim, voltando ao mundo sensível até que sua alma estivesse completamente virtuosa.


Para nós hoje é fácil criticar o pensamento antigo e até mostrar uma forma de preconceito para com eles, mas apesar das falhas é um pensamento que está muito a frente do seu tempo e até do nosso, existem outras inúmeras semelhanças e até muito mais do conhecimento antigo no nosso pensamento que poucas pessoas param para refletir. Minha ideia aqui foi apenas abrir um pouco a mente para esse questionamento e olhar com outros olhos quando formos estudar civilizações e sociedades antigas.


Bom, depois de quase 1 ano sem postagens, decidi voltar a dedicar um pouco de tempo para o blog, espero que tenham gostado desse post e estarei escrevendo o mais breve possivel. Desde já obrigado.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A ilusão da racionalidade


É bem verdade que a complexidade do ser humano fascina o próprio homem. A própria filosofia é uma busca incansável pela compreensão do ser, já dizia Descartes: "Penso, logo existo".

Já li muitos pensadores, preocupados em encontrar uma resposta para o que seria a essência humana, muitos concordando em algumas partes, mas todos se contradizendo.

Cada um com sua perspectiva, desde o bom selvagem de Rousseau, até o "homo homini lupus" de Hobbes. Sem mais rodeios, meu objetivo com esse texto é mostrar um pouco do meu pensamento sobre o que seria a "essência" ou algo que está por trás do que é realmente o ser humano.

Na minha humilde e simples reflexão, é claro, me parece sim que a racionalidade distingui o homem dos demais animais, mas ao mesmo tempo torna-se uma espécie de "instinto" próprio do ser humano (Viajei mesmo hehe). Se pararmos pra analisar a nossa vida cotidiana vamos perceber que essa "racionalidade" ou "intelectualidade", seja qual for o nome, é uma espécie de ilusão. Veja que essa é uma visão bem crítica e um pouco pesada.

O homem se vangloria da sua capacidade intelectual avançada dos demais animais, e essa racionalidade é capaz de pensar nas mais nobres ações, como a liberdade, igualdade e fraternidade, como também é capaz de praticar os atos mais cruéis.


Mas na vida cotidiana, basta prestarmos um pouco de atenção. O homem jamais será igual e jamais irá tratar o próximo como seu igual, pois sua "racionalidade", mesmo com uma capacidade de pensar numa igualdade, já o diferencia dos demais. E isso é algo mais que natural.

Leões não andam junto a outros leões, e é exatamente o que acontece conosco, ou você já parou na rua para falar com alguem que você nunca viu na vida como se fosse um amigo próximo? Acredito que não, pois o homem teme a ele mesmo, mas porque? Provavelmente porque sabemos que nós mesmos somos capazes das piores coisas.

Mulheres se produzem, colocam as suas melhores roupas, se maquiam. Homens usam perfume, cortam o cabelo. Mulheres compram, gastam. Homens usam tênis caros, carros bonitos. E tudo isso pra que? Mostrar pra outros seres humanos que podem ter o "melhor", são os mais bonitos, os mais aptos, os melhores. É o que chamamos de ego, que causa inveja nas demais pessoas. No mundo animal, é a simples necessidade de mostrar ao outro sexo que ele é o parceiro ideal, e que precisa dar continuidade a sua espécie. Onde está a racionalidade nisso? Pelo contrário, é o mais simples instinto animal sendo "maquiado" por um conceito criado pelo próprio ser humano.


Mas é claro que os mais intelectuais diriam que isso é futilidade, e para pessoas que realmente utilizam sua racionalidade, isso não tem qualquer valor. Mas basta olharmos a própria comunidade científica, que nada mais é do que uma briga de egos. Há sempre uma vontade de impor seu pensamento em cima dos outros, isso é literalmente natural, é da própria natureza, e o homem na sua santa ignorância dá apenas nomes diferentes para aquilo que já o acompanha desde o inicio dos tempos.

O homem jamais deixou de ser animal, a racionalidade é apenas uma ilusão, disfarça aquilo que é mais obvio, o instinto. Na tentativa de extrair, ao máximo, o homem da natureza, ele se vê preso aos mesmos costumes que os próprios "animais irracionais" tem. E isso me aterroriza bastante.

É isso ai galera, depois de tanto tempo sem postagem, estudando muito, mas estou de volta. Espero que gostem dessa visão um pouco pessimista do que realmente o ser humano é. É claro que são apenas palavras de um jovem de 19 anos. =D

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Filosofia da ciência

Estou sem tempo pra postar, estudando pro vestibular e agora voltando as aulas da faculdade, nesse post falarei um pouco sobre a filosofia da ciência, uma das cadeiras que estou pagando nesse período. Essas são as respostas da minha primeira prova e acho que dá pra entender um pouco do que se trata essa disciplina!

"As características do senso comum"

"O senso comum é subjetivo, pois parte da experiência de vida de cada um, portanto é uma interpretação diferente dos fenômenos por cada individuo, se é um artista verá arte numa árvore, se é um marceneiro verá qualidade da madeira e assim por diante.
É também assistemático, não possui um sistema que possa ser estudado, nem é metódico porque não é feito através de procedimentos.
Apesar de ser subjetivo, ou seja, partir da concepção de cada individuo, ele é generalizado, pois há uma junção, uma contribuição de cada um formando um conhecimento."

Podemos ver que o senso comum não é utilizado na ciência por não utilizar os mesmos métodos, mas é considerado por alguns uma forma de conhecimento e claro é a mais utilizada, dai o seu nome.

"Características do conhecimento científico"

"O conhecimento científico é objetivo, trabalha diretamente com o objeto, é experimental, pois trabalha o objeto por meio do experimento para se chegar a um conhecimento. Utiliza-se dos procedimentos para o estudo, por isso é metódico. É preditivo, consegue até certo ponto, prever os fenômenos. É um conhecimento aberto, democrático, pode ser estudado por todos. É falível, pois é válido até que uma teoria melhor tome o lugar, e é útil, pois é um conhecimento voltado para a prática e utilizada na vida do ser humano."

Já vemos aqui a diferença entre conhecimento científico e senso comum.

"As três concepções de ciência segundo Marilene Chauí"

"A empirista, que a exemplo de Aristoteles, a ciência se baseia pelo experimento para a comprovação dos fatos. A racional que por meio da razão chegaria-se a verdade, ou um conhecimento científico verdadeiro. A construtivista, que não via na ciência o mundo tal qual como é, mas a ciência apenas como um modelo de representação desse e dos fatos."


"A problemática da neutralidade da ciência"


"Por muito tempo a ciência foi vista como neutra, e ainda é para alguns. Mas isso é algo muito fácil de ser questionado, principalmente depois dos grandes conflitos do século XX. A ciência não seria neutra, pois ela partiria dos interesses do homem, basicamente o homem capitalista, para se fazer ciência é necessário dinheiro, e se o dinheiro é liberado de acordo com os interesses de uma sociedade capitalista, não existe mais uma ciência pela ciência, ela morreu com Galileu a séculos atrás. A ciência então feita a partir de interesses políticos, econômicos, ideológicos, e portanto não neutra, feita para um propósito, seja bom ou ruim.

"A filosofia da ciência ou epistemologia"


"A filosofia da ciência esta preocupada em estudar os fundamentos do conhecimento científico. Como ele funciona, de que forma é usado, como surgiu, quais as suas grandes problemáticas, enfim, de que forma podemos falar de ciência e de que forma podemos usa-la, se existe alguma ética no pensamento científico ou se segue um progresso sem pensar em tais questões."

E pra vocês? Existe uma ciência que parte de princípios éticos e morais? Ou não a uma abertura pra esse tipo de discussão nela? Não estou falando de uma religião tentando parar qualquer tipo de progresso científico, mas uma discussão racional sobre até onde a ciência pode ir. Ou a ciência não deve ter limites?

Fica pra vocês esse questionamento! Se eu não postar até antes do Carnaval, fica aqui uma mensagem de boas festas pra todos! Valeu!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Preso em regime fechado é aprovado em vestibular em Alagoas"



Primeiro Post do ano, é algo que não gostaria de escrever aqui, mas não pude me conter, espero que entendam minha decepção.
Tenho sempre o costume de acessar o site da UOL, que é um dos melhores sites de informações da web e me deparei com essa noticia, a minha primeira reação foi de revolta, é lamentável.

Um preso em regime fechado foi aprovado na Universidade Federal de Alagoas (UFAL) para o curso de administração noturno. Não conheço a situação do pobre coitado e nem mesmo vou me atentar a escrever aqui sobre ele.
Irei me preocupar em falar sobre esse fato, de um preso, seja ele quem for, ter sido aprovado num vestibular, é um absurdo, podem falar o que for sobre minha posição radical, mas só podia ser nessa merda de país mesmo. E o pior é assegurado por lei que qualquer preso possa cursar uma faculdade.

É lamentável. Essa coisa de Direitos Humanos, pelo menos na pratica, é só pra ferrar com gente de bem, porque quem merece não recebe e quem não merece, vocês já sabem não é? Pois é, e dizem que esse país é o melhor do mundo, só se for pra quem não presta.

E pensamos que somos livres. Livres? Não. O que eu vejo são cidadãos de bem presos em suas casas protegidas por cercas elétricas, sem poder sair na rua com medo, e detentos na cadeia comandando o crime organizado de lá de dentro.
Pense ai, somos livres mesmo? Essa Lei não deveria nem existir, ninguém sabe o tamanho da minha revolta ao saber disso, é realmente uma pena, mas tem quem argumente contra não é? Deixo isso pra vocês, pois minha opinião é completamente radical quanto a isso.

Esse é um Post simples mas que expressa aqui minha revolta, talvez fosse melhor escrever sobre isso com a cabeça mais fria, mas não pude esperar! Só pra lembrar que segundo a noticia, ainda está sendo estudado um modo para que o tal preso ingresse na faculdade.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

PSV 2010 da UERN


É, o que falar sobre isso? A minha sensação como a de todos os outros vestibulandos naquele momento, com certeza, era de pura indignação e a primeira coisa que se vem a cabeça (muito devido ao acontecimento do Enem desse ano) era de alguma fraude, virou moda não é? Mas não foi bem assim, o problema está longe de ser da UERN ou de qualquer individuo que esteve presente no processo desse ano.

Como assim? o erro já sabe-se que foi de total responsabilidade da empresa (AOCP), e é ai que está o grande problema, não foi a UERN que a contratou, o sistema funciona de outra forma, é uma coisinha chamada Licitação.

Não sou um grande conhecedor desses processos, mas vou tentar explicar aqui mais ou menos de que maneira isso ocorre.

A forma que o governo encontrou para que não ocorressem "roubos" ou "ajeitadinhos" foi essa tal de licitação, nada mais é do que uma burocracia pra que qualquer tipo de empresa, seja qual for a área, possa fazer um serviço utilizando o dinheiro publico. Essa licitação procura saber se esta empresa está em ordem, com toda documentação necessária, se já possui experiência, se não possui nenhuma divida e se já fez algum serviço pro governo.

Depois de passar por todas essas etapas de documentação, vem o que não deveria ser o ponto mais importante, mas que sempre acaba sendo: o dinheiro! as empresas que foram aprovadas nas etapas anteriores de documentação vão agora oferecer o preço, e na maioria dos casos (pra não dizer sempre) a que oferece o serviço mais barato acaba ganhando. E em muitos casos, serviço barato é muitas vezes serviço que não presta.

É ai que está o grande problema, se é que estão me entendendo, em qualquer área, seja na saúde, na educação, na construção civil. As vezes aquele serviço que saiu mais barato, vai custar mais caro lá na frente.

É justamente o que aconteceu, o estado optou pelo preço mais barato e por uma empresa que, diga-se de passagem, não tem experiência alguma em vestibulares e pode agora pagar um preço mais caro. A UERN não vai sair com nenhum prejuízo financeiro, não chegou a pagar a AOCP, e a empresa vai ter que arcar com todos os custos.

Mas o prejuízo moral, ético e psicológico é muito maior, digo isso porque eu participei do processo seletivo e estou indignado, assim como muitos outros, é uma falta de respeito conosco. Pessoas que se deslocaram até de outras cidades e gastaram com hospedagem. Não só isso, congestionamento na Leste-Oeste, não sei como não sofri um acidente e por pouco não cheguei na hora, e vi muitos ficarem de fora por causa disso.

Quem é culpado? A empresa? É porque era sua responsabilidade de garantir que todo o processo ocorresse como sempre. Mas é algo maior, a culpa esta lá, no sistema, "tapando" buraco mais uma vez, porque não escolher uma outra empresa como a Consultec que tem experiência, principalmente com o PSV da UERN, porque escolher AOCP sabendo que essa nunca tinha feito um vestibular? Dinheiro, tudo gira em torno do dinheiro, quem oferecesse um serviço mais barato levava, e é assim que o governo trabalha pra gente, só mandando porcaria.

Por aqui eu fico deixando meu recado de indignação e para que outras pessoas saibam que esse cancelamento do PSV da UERN (o primeiro em mais de 30 anos de instituição) serve pra mostrar que existe uma falha no sistema, e temos que abrir o olho pra isso. Todos queremos serviços de qualidade, é o mínimo que pode se esperar de um governo que cobra tantos impostos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Deserto do Real



Voltando a atualizar, e é claro não poderia deixar de falar sobre o filme que me inspirou a criar esse Blog e que sem duvida é um dos melhores filmes do século XX.

Matrix é um filme que passa despercebido pela maioria das pessoas, talvez pela sua grande complexidade e que acaba ficando reduzido as pancadarias e feitos impossíveis. Isso porque a maioria dos que assistem não conseguem compreender as analogias e mensagens que o filme passa. É preciso ter uma boa noção de filosofia pra captar vários pontos. O primeiro filme do qual irei comentar aqui é o mais rico da série, é nele que estão as maiores comparações.

Neo é um hacker que sente algo muito estranho acontecendo, muitas vezes parece não saber o que é sonho e o que é real (aqui entra o primeiro questionamento sobre a realidade que veremos mais na frente). Quando no seu computador, mensagens estranhas aparecem: "A matrix pegou você!, Siga o coelho branco!".
Em busca de respostas, Neo segue o "coelho branco" (que vocês saberão como assistindo o filme!) . A partir dai ele descobre que a sua vida não era o que parecia ser, e a realidade que ele pensava existir não era nada.



Neo chega até Morpheu, que lhe promete contar toda a verdade. Aqui aparece os melhores questionamentos do filme e é onde esta toda a filosofia. Morpheu imagina que Neo estaria se sentindo como Alice, no pais das maravilhas, escorregando pela toca do coelho.

Morpheu - "Você acredita em destino, Neo?"
Neo - "Não"
Morpheu - "Por que não?"
Neo - "Não gosto da idéia de não controlar minha vida!"

Aqui entra a questão do Determinismo e Existencialismo. O Determinismo para aqueles que não sabem é uma doutrina que afirma que todos os acontecimentos são condicionados, e que as escolhas e vontades do ser não dependem dele mesmo e sim de fatores anteriores a priori. O existencialismo por outro lado, destaca a liberdade e a subjetividade do ser, sendo assim, ele é responsável pelas suas escolhas e vontades.

Neo nesse caso é um seguidor da corrente Existencialista, já que ele não gosta da idéia de não poder controlar sua vida, ou seja, da doutrina determinista.

Logo em seguida Morpheu explica o que é matrix:

"Matrix está em todo lugar, você pode ve-la quando olha pela janela (...) Você a sente quando vai para o trabalho, (...) É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para que você não visse a verdade. (...) Você nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente." - Morpheu

Podemos ver aqui, no meu entendimento, que a Matrix pode ser comparada com à alienação do mundo globalizado, ou mesmo da sociedade, é um mundo que é posto pra nós, culturas, valores e condutas éticas que somos obrigados a seguir e interiorizar, muitas vezes, sem saber o porque.

Morpheu aqui emprega a imagem do Filósofo de Platão, que tem como missão salvar os "escravos" que estão no fundo da caverna (que veremos mais a frente).



"O que é "real"? Como define "real"? Se você está falando do que consegue sentir, do que pode cheirar, provar, ver, então "real" são simplesmente sinais elétricos interpretados pelo seu cérebro." - Morpheu

Essa é uma das melhores cenas do filme. Aqui Neo questiona, dentro de um programa de computador, se aquilo que ele estava vendo e sentindo era real.

Podemos fazer uma comparação com o Mito da Caverna de Platão. Nessa metáfora, Platão explica como se encontra a humanidade, imaginou escravos no fundo de uma caverna, presos sobre correntes para que sempre olhassem a parede a frente, e por trás desses, prisioneiros carregando estátuas de homens, animais e objetos, com uma iluminação vindo da entrada da caverna. Assim Platão afirma que esses presos só veriam as sombras desses objetos, surgindo e se desfazendo diante deles. Acreditavam que essas silhuetas eram verdadeiras, tomando as sombras pela realidade.

Em seguida, Platão segue narrando, se algum escravo fosse libertado e pudesse sair da caverna, o que aconteceria? Num primeiro momento ficaria confuso e ofuscado pela forte luminosidade do Sol (o que acontece com Neo logo depois que descobre o mundo real), mas, passando pela dor, aos poucos iria recuperar-se e encontrar um novo mundo, oposto ao qual ele vivia, e perceber que estava num mundo de ilusões (sentidos), passando para o mundo real (no caso de Platão, o mundo das idéias).



"Conhece-te a ti mesmo" - Oráculo

Iremos ver outra analogia filosófica quando Neo encontra-se com o Oráculo. Na Grécia antiga, Oráculo era uma mulher chamada Sibila, uma pessoa especial que recebe uma mensagem divina e transmite para quem interroga, para que o interrogante decifre a resposta.

Quando Neo encontra-se com o Oráculo, ela pergunta se ele leu o que está escrito sobre a porta de entrada. Ele diz que não. Então ela lê para ele, explicando que é de uma língua muito antiga já esquecida, o Latim. a frase "Conhece-te a ti mesmo".

Muitos já viram essa frase, mas nessa cena representa um acontecimento do passado, na Grécia antiga, com Sócrates.



Havia na cidade de Delfos, na Grécia antiga, um santuário dedicado ao deus Apolo, o patrono da sabedoria. Sócrates foi a esse santuário consultar o Oráculo, pois em Atenas, onde ele morava, muitos diziam que ele era um grande sábio. Sócrates queria saber o que significava ser um sábio e se ele era mesmo um. O Oráculo então perguntou-lhe: "O que você sabe?". Sócrates respondeu com a célebre frase: "Só sei que nada sei". Então o Oráculo disse: "Sócrates é o mais sábio de todos os homens, pois é o único que sabe que não sabe."

Assim Neo teria que conhecer a si mesmo para ser o escolhido e não estaria pronto até que soubesse disso.



"Liberte sua mente!" - Morpheu

Como podemos ver, Matrix não é simplesmente um filme de ação, ele abre a sua mente para várias questões, e a principal é, será que vivemos mesmo num mundo real? ou somos controlados?. Existem muitos outros questionamentos no filme, esses foram só alguns que eu levantei pra esclarecer um pouco mais. Esse é o maior post que fiz até agora, espero que todos tenha a paciência para ler.

Para todos aqueles que assistiram esse filme, espero que assistam de novo sobre esse olhar, prestando mais atenção nos diálogos, que são muito ricos. E para os que não assistiram ainda, vai aqui a dica, não deixem de ver, é um filme que une um grande roteiro com muita ação!

Ah! e o Blog de visual novo :D